Rebanho de búfalos invasores cresceu 138 vezes em 70 anos e virou alvo de ação judicial milionária em Rondônia

Rebanho de búfalos invasores cresceu 138 vezes em 70 anos e virou alvo de ação judicial milionária em Rondônia

Um rebanho de búfalos selvagens invasores, que se reproduz sem controle em Rondônia, está no centro de uma ação judicial milionária. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os animais não são nativos das reservas biológicas onde vivem atualmente e estão causando graves impactos ambientais, incluindo a extinção de espécies da fauna e da flora, além da alteração no curso de lagos.
Em uma Ação Civil Pública na Justiça, o MPF pede que o governo de Rondônia e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) garantam a erradicação e o controle desses animais na região. Além dos danos às reservas, o processo cita também a preocupação com o risco sanitário, já que os búfalos não são vacinados. MPF pede ainda que o Estado pague uma indenização de R$ 20 milhões por danos morais coletivos, a ser destinada a ações de reflorestamento nas unidades de conservação estaduais e federais em RO. E que o ICMBio fique responsável por elaborar um plano de controle e erradicação da espécie invasora.O processo foi ajuizado no dia 31 de janeiro e ainda vai ser analisado pela 2ª Vara Federal Cível e Criminal Seção Judiciária de Ji-Paraná (RO).Após o fracasso do projeto e seu consequente abandono, os búfalos passaram a se reproduzir livremente, atingindo cerca de 5 mil cabeças, segundo o MPF. Em cerca de 70 anos, o rebanho cresceu 138 vezes. Estima-se que, até 2030, essa população possa chegar a 50 mil animais.
CONTRATE - JÁ
Atualmente, os animais vivem entre a Reserva Biológica (Rebio) Guaporé, a Reserva Extrativista (Resex) Pedras Negras e a Reserva de Fauna (Refau) Pau D'Óleo, no oeste de Rondônia, uma região entre a Floresta Amazônica e o Cerrado em que habitam espécies ameaçadas de extinção, como o cervo-do-pantanal e a onça-pintada, que disputam território com essa espécie invasora.
As reservas biológicas são a categoria de proteção ambiental mais restritiva em Rondônia. As únicas atividades permitidas nessas áreas são a educação ambiental e pesquisas científicas. No entanto, algumas famílias ainda vivem nesses locais, pois já residiam ali antes da criação das unidades de conservação.
Por estarem em um ambiente inadequado, os búfalos não enfrentam predadores naturais que possam controlar sua população. Essa questão foi abordada na pesquisa"O Bubalus bubalis invasor pode reduzir pela metade a área alagada em um sítio Ramsar na Amazônia Ocidental" (em tradução livre), realizada pela mestre em Ciências Ambientais Lidiane Silva.
"Como espécie exótica invasora de grande porte, com comportamento agressivo e gregário, os búfalos não sofrem pressão significativa de predadores, e até mesmo os filhotes são difíceis de capturar devido ao cuidado parental", explicou o estudo.
Em um estudo intitulado“Búfalos Ferais (Bubalus bubalis) em Áreas Protegidas: um estudo de caso na Reserva Biológica do Guaporé, RO”, publicado na Revista Eletrônica do ICMBio, pesquisadores citam que realizaram sobrevoo na área das reservas em 2010 e puderam perceber a clara diferença entre as áreas ocupadas e as áreas livres de búfalo.


FONTE: G1 RO 

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